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Miguel de cervantes

Miguel de Cervantes

Domquixote

Dom Quixote e Sancho Panza

A ORIGEM DO ROMANCE E DO TERMO

Romance Moderno

Atualmente, há uma grande dificuldade em diferenciar o romance da novela. O que os diferencia é que a novela pode ser um conjunto de fatos individualizados, e no romance há varios acontecimentos ao mesmo tempo que não se cruzam.



Dom Quixote de La Mancha é a obra que protagonizou o surgimento do romantismo moderno. A obra conta a história de um homem que era apaixonado por livros de romances de cavalaria e que, de um dia para o outro, decide ter a vida de um dos heróis que ele tanto gostava. A partir daí, ele vive várias situações inusitadas com seu companheiro Sancho Panza, sempre à procura de novas aventuras e do encontro de sua amada Dulcinéia. Dom Quixote de la Mancha foi escrito por Miguel de Cervantes.

Estudos Literários

“O romance é considerado, por alguns estudiosos, a mais independente, a mais elástica, a mais prodigiosa, a mais completa de todas as formas artísticas”.

Herdeiro da Epopéia, o Romance é um gênero da literatura que pertence ao modo narrativo, assim como a Novela e o Conto. O Romance é uma história que se conta, em geral, por meio de uma seqüência de eventos que envolvem personagens em um cenário específico. Segundo Massaud Moisés (A Criação Literária), o objetivo essencial do Romance, é o de reconstruir, recriar a realidade. Não a fotografa, mas recria. O autor reconstrói a seu modo, um mundo seu, uma vida sua, recriados com meios próprios e intransferíveis, conforme uma visão particular, única, original.

[•] O TERMO

Há duas hipóteses sobre a origem do termo “romance”:

a) Pode ter-se originado de romans (vocábulo da língua provençal) que por sua vez deriva da forma latina romanicus;

b) ou teria vindo de romanice (hipótese mais convincente) que designava qualquer obra escrita em romanço, língua falada nas regiões ocupadas pelos romanos, e que já se diferenciava do latine loqui (falar latino); essa diferenciação foi resultado da fusão do latim vulgar com a língua de um povo conquistado pelos romanos (entre as línguas românicas está a portuguesa).

[•] PEQUENO HISTÓRICO

Dessas hipóteses vem o termo primitivo Romanço, que passou a rotular obras de cunho popular e folclórico. E, como estas eram de caráter predominantemente imaginativo e fantasista, o termo servia para caracterizar essas narrativas, tanto em prosa, como em versos. Daí o caráter ficcional do romance. No primeiro caso, ou seja, entre as obras em prosa, estão os chamados romances ou novelas de cavalaria, que foi o costume durante os séculos medievais. Narravam proezas praticadas pelos cavaleiros andantes. No segundo, estão, por exemplo, o Roman de la Rose e o Roman de Renart (célebres poemas franceses do século XII), o primeiro de caráter amoroso e o segundo de cunho satírico, mas ambos de intuito moralizante.




Crise do Romance

Na verdade é que já em 1880 falava-se em crise do romance. Naquele ano foi feita na França uma enquete sobre o assunto e Jules Renard disse que o romance havia morrido. E em uma época de Zola, André Gide, Valéry; mais adiante surgiriam Proust, Joyce, Kafka, Robert Musil, Machado de Assis. Numa entrevista, Gabriel Garcia-Márquez reitera sua crença no gênero: "se você diz que o romance está morto, não é o romance, é você que está morto".

Justamente quando se discutia se os recursos do romance estariam realmente esgotados, se seus dias estavam mesmo contados, surge o que ficou conhecido como o boom da literatura latino-americana: Julio Cortázar, Vargas Llosa, Gabriel Garcia-Márquez, Carlos Fuentes, Cabrera Infante, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier etc. Era o descobrimento do realismo mágico.

O romance sofre concorrência do desenvolvimento do jornalismo, o cinema, o rádio, a TV; e mais recentemente os computadores e a Internet. O que se tem visto, no entanto, são os rivais se transformarem em aliados do romance: a imprensa escrita veio influenciar e divulgar a literatura, com o cinema a mesma coisa acontece. A Internet também vem se transformando numa divulgadora da literatura.

Em Repertório, Michel Butor diz que o romance é o laboratório da narrativa. E não há espaço mais propício para se fazer novas experiências do que um laboratório. Uma literatura que pretende representar o mundo só o fará se acompanhar as mudanças desse mundo. É preciso, então, mudar a própria noção de romance.

Esse laboratório da narrativa vem ao encontro das relações atuais do romance com as transformações cada vez mais dinâmicas da sociedade contemporânea. O que morre no romance é a antiga estrutura que é necessariamente marcada pela coerência interna da qual se espera extrair o sentido da narrativa. A crença em alcançar significados coerentes é que está em crise. A sociedade atual assiste ao fim das ideologias e à falência tanto da sociedade burguesa quanto da socialista. O romance clássico representa a falácia de um estilo de pensamento ultrapassado pela racionalidade histórica pós moderna.

Metamorfose do Romance

Que a palavra romance se desgastou ao ponto de se criar preconceitos em torno dela, isso não se discute. Há pessoas, por exemplo, que acreditam que o fato de não lerem romances é um sintoma de intelectualidade. Na maioria das vezes, entretanto, quando se diz eu não leio romance está-se querendo dizer eu não leio prosa de ficção. Assim o preconceito se espalha para a literatura em geral.

Outra coisa indiscutível é o fato de o romance não ocupar mais o mesmo espaço que ocupou até o início deste século. Michel Butor diz que é preciso compreender que toda invenção literária, hoje em dia, produz-se no interior de um ambiente já saturado de literatura. Para Henry James o romancista é alguém para quem nada está perdido. Para Mishima a literatura é uma flor imperecível. Para Barthes a única verdadeira crise do romance acontece quando o escritor repete o que já foi dito ou quando deixa de escrever.